Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
Soulmate

Trago aqui uma one-shot que já tem um ano de idade mas ficou perdida no meu pc à espera que eu me decidisse em relação a este blog. Bem para perceberam melhor o texto vejam aqui. É bastante longa e corresponde ao estilo de escrita com a qual me sinto confortável. Enjoy!

Soulmate

 

   Parti, fiz as malas e parti com ele. Tu próprio afirmaste não me quereres, já não éramos os mesmos, os nossos caminhos desprenderam-se um do outro, e assim parti com ele, aquele que durante dez anos esperou por mim, que andou sozinho. Quando me voltaste as costas soube que nada mais me restava do que proteger a única pessoa que tinha no mundo, aquele que durante tantos anos apenas magoei… Sabes Zero gostava de te ter podido proteger, mas no final não encontrei motivos para o fazer. Na nossa despedida disseste-me que sempre me observaras, sempre observaras a forma como olhava para ele, a forma como olhava para ti, disseste-me que tinha sempre um sorriso no rosto, mesmo quando tu me magoaste, eu sempre soube perdoar. Foste tu que me pressionaste, foste tu que me deste a entender que nada mais havia naquele lugar para mim, ou talvez tenha sido eu, talvez tenha sido as memórias do meu passado e as palavras do meu presente. Disse-te que partiria antes de ti, porque achei ser o que querias ouvir, mas não quis partir sem saber o que seria de nós, um dia fizeste-me prometer que te mataria se algum dia te transformasses em vampiro, mas agora que eu própria era uma vampira e por isso precisava de saber o que farias. Disseste não acreditar que era um deles, e aí desafiaste-me a beber do teu sangue para provar que de facto era uma vampira. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e ainda mais quando aproximaste o teu corpo do meu e me abraçaste, desafiando-me mais uma vez a provar do teu sangue, e expondo finalmente o teu pescoço para mim. As lágrimas correram quando afastei a tua camisa ensanguentada e me preparei para te morder. Saboreei o teu sangue, o travo adocicado das gotas que sugava do teu pescoço e lembrei-me do que me disseras um dia “conheço-te pelo gosto do teu sangue”. Bebi mais um pouco enquanto os teus sentimentos derramavam sobre mim, à medida que um pouco do teu sangue era drenado de ti. Quando me afastei disseste que era já afinal uma vampira e com todas as letras disseste “não podemos viver no mesmo mundo” e prometeste ainda que com alguma hesitação que me matarias. Apanhaste-me de surpresa, nunca pensei que poderia passar a ser tua inimiga, mas ainda assim procurei manter-me firme e prometi estar à tua espera. Enquanto me afastava daquela que tinha sido a minha casa e a minha escola, repetia para comigo que estaria à tua espera.

   E ainda hoje continuo à espera, à espera de te ver uma vez mais, tenho saudades tuas, saudades do teu cheiro ou talvez do teu sabor. Saudades de cuidar de ti, de te abraçar, e de ser abraçada, saudades de me sentir em casa. Deixei-me arrastar por ele, deixei que aquele seu ar encantador e as suas palavras carinhosas me fizessem fugir de ti, tive medo, medo das mudanças que estavam acontecer à nossa volta e ele pareceu o único que sabia que caminho tomar. Nasci para o fazer feliz, nasci porque era suposto ser feliz a seu lado, mas não sou, nem posso ser, fui humana por dez anos e tudo aquilo que era antes de me apagarem as minhas memórias e a minha identidade dissolveram-se entre as memórias que criei enquanto humana. Ele espera de mim o que tinha sido antes da minha mãe se sacrificar por mim, mas a verdade é que não posso voltar a ser quem fui por causa dessas novas memórias.

   Os nossos dias nunca foram fáceis, mas eu fazia tudo por ti, oferecia-te o meu sangue e oferecia-te tudo se isso impedisse de te transformares no nível E, mas no final não foste tu que te transformaste num vampiro. E enquanto lutava por te manter são eu própria me afundava em pequenos rasgos de memória que procurava entender, quase enlouqueci até que por fim a verdade foi revelada. Sou uma puro-sangue nascida e criada com o único propósito de continuar o meu legado e ser a companheira de Kaname-senpai. Uma puro-sangue, um vampiro, e tu um caçador de vampiros, um caçador renovado pelo sangue do teu irmão gémeo, cujo único propósito é matar os da minha espécie e por isso afirmas não pertencermos ao mesmo mundo. Gostava que o destino tivesse sido mais meigo connosco, pelo menos comigo, não sei se ainda hoje sofres como eu sofro por ti. Gostava de ter tido escolha, gostava de puder ser feliz. Se hoje me visses não me reconhecerias à primeira, talvez fosse primeiro o cheiro do meu sangue que te fizesse parar para olhar. Perdi o sorriso de que tanto falavas, perdi-o nos dias que passaram desde que parti. Carrego bem junto ao meu peito as memórias dos dias que partilhamos, guardo religiosamente o sabor do teu sangue nos meus lábios para quando a saudade teima em apertar. Não posso fugir do que sou, nem daquilo que me define, assim como sei que não podes fugir do fardo que carregas, do legado que te fora deixado pelos teus pais, assassinados por uma vampira. Fomos ambos amaldiçoados, cada um à sua maneira.

Destinada a amar alguém que no fim de contas não sou capaz de amar e forçada a fugir da pessoa que amava por esse mesmo destino. Estou só quando sei que há alguém neste mundo que está destinado a ouvir o meu choro, alguém que é o meu encaixe perfeito, alguém que será o meu para sempre. A soulmate, aquela pessoa que sabe como me amar, como me abraçar e essa pessoa eras tu Zero. Eras o meu porto de abrigo, aquele a quem eu podia abraçar e que sabia que me abraçaria de volta. Estranho que só quando não temos as pessoas que desejamos por perto é que damos conta do quanto elas nos fazem falta. Sempre fui boa a inverter papéis e a destruir destinos, por isso não consigo ser feliz, não posso ter quem quero nem posso ser quem querem que eu seja. Hoje fazendo uma retrospecção de todas as vezes que Kaname me abraçou sei que nunca o abracei de volta, não depois de todas as memórias de criança me terem sido retiradas, de todas as vezes que os seus braços me rodearam, os meus braços caiam mortos ao lado do meu corpo. Todo o pequeno gesto que ousei fazer por ele, não se compara a tudo o que fiz por ti Zero. Esperei encontrar conforto naquele que me conheceu desde que nasci, mas não o encontrei, não como o conforto que encontrava nos teus braços, no bater do teu coração, no teu olhar infinitamente bom.

   Vampira ou humana continuo a ser eu, Yuuki, uma menina à espera de ser feliz, à espera de alguém a quem possa abraçar e nunca mais largar. Espero por ti Zero na esperança de possamos encontrar o nosso final feliz, mas se tal não acontecer, pelo menos sei que a tua cara será a última coisa que verei antes de desaparecer deste mundo. Se para ti os nossos mundos não forem ainda compatíveis, não oferecerei resistência quando vieres tomar a minha vida, pois nada me poderá fazer mais feliz do que dar-te tudo, mesmo que esse tudo seja a minha existência. Espero que não demores a chegar, pois continuo à espera do dia do teu regresso, continuo à espera do veredicto final, à espera da possibilidade de um final feliz. Continuo à tua espera minha alma gémea.         

          

 


sinto-me: stressed
música: Soulmate - Natasha

publicado por Morceguinha às 22:50
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